1984 a 1987 

Oposição acirra a luta, disputa voto a voto

1984 – 1987 

Na eleição de 1984, Domingos Sávio, trabalhador da Rhodia, entrou na direção por ser permitida a participação em conjunto com a oposição, mas foi expulso pelo presidente reeleito Ademar Veiga devido ao seu modo combativo no movimento. Outro grupo de oposição, liderado por Bete (Merial) e Tuim (Rhodia), acreditava que os trabalhadores deveriam buscar conquistar a direção por fora. Veiga também lançou o jornal com o nome de Mobilização Química.

No ano de 1985 registros fotográficos e em boletins apresentaram assembleia de campanha salarial na sede do Sindicato em 20 de novembro, no fim deste período, 40% da categoria aderiu a greve de um dia pressionando mais os patrões, informações de reforma na colônia de férias de Caraguatatuba, paralisação na 3M em março, greve na Shell e encontro de mulheres.

Em 1986, o Sindicato realizou assembleia com trabalhadores da 3M sobre a reivindicação do adicional de periculosidade. Nesse período a Petrobrás trouxe a luta do adicional de turno para a região de Campinas. A categoria química também começou a trabalhar em suas campanhas. As conquistas foram de fábrica em fábrica, principalmente na Rhodia, pelos anos seguintes 1985, 1986 e 1987. 

É importante lembrar, que os trabalhadores faziam os pagamentos das mensalidades diretamente na sede do Sindicato, de forma “clandestina”, para que os patrões não soubessem a identidade deles e que fossem perseguidos.

Em 1987, a CUT promoveu o 2º Concut (Congresso Nacional da CUT) e a oposição conseguiu aprovar a participação como delegado de Zé Mário, trabalhador da Stalfer em Paulínia. No primeiro semestre, antes da eleição do Sindicato, a CUT realizou uma convenção no dia 26 de abril, com mais de 70 trabalhadores, que escolheram companheiros da Oposição Sindical, chamada de Alternativa Química”, para renovar a direção. 

 

Situação iniciou processo de fraudes nas eleições

A votação deu a vitória a Tuim, que encabeçava a chapa, tendo Zé Mário como vice. Mas, foi preciso a realização de uma segunda votação, um 2º escrutínio, e a chapa de oposição perdeu por apenas 26 votos. A eleição foi fraudada, o significa fraude “engordar a urna com votos de uma determinada chapa”, ou ainda, na mesa da votação, não permitir fiscalização ou durante à noite. 

O dirigente Arlei Medeiros*, trabalhador da Ashland, contou um momento tenso naquele dia: ao chegar na sede, não sabia que os integrantes da oposição haviam sido expulsos a base da arma, então um porteiro do prédio próximo falou para ele “acho que você não está entendendo o pessoal foi expulso daqui na porrada, na bala e você chega aqui apavorando, por favor, vai embora senão vão quebrar você”.

No entanto, a oposição saiu fortalecida perante a categoria e a continuação da chapa da situação aumentou a insatisfação na base. A oposição sindical levava propostas nas negociações aos trabalhadores e às empresas, era quem puxava as greves, era combativa e respeitada, também recebia apoio de outras categorias na cidade, dos trabalhadores químicos da capital paulista e da CUT. Os patrões em Campinas não perdoaram e demitiram o companheiro Zé Mário.